sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"A bela Junie": Filme sobre escola sem bullying, cheerleaders e os bonitões do time de futebol, mas com jovens de verdade


Cefas Carvalho

"A bela Junie" (“La belle personne”), drama francês de Christophe Honoré de 2009, trata do cotidiano de um grupo de jovens estudantes em um colégio parisiense. Se fosse um filme norte-americano sobre a mesma temática, teríamos aqui o time de futebol do colégio, as cheerleaders, os nerds eternamente sacaneados, a menina feia tentando ser notada. Enfim, os clichês de filmes de escola que o cinema americano já nos despejou aos milhares (de "Porky´s" a "Vingança dos nerds"). Para não deixar a piada incompleta, é lícito dizer que se fosse um filme de escola brasileiro, teríamos o grupo dos maconheiros, a menina espivitada (e gostosinha, claro), o cara que se envolve com a marginalidade, o professor sacana, enfim, os clichês tiupiniquins.
No drama de Honoré não tem nada disso. Nada de bullying, professores sádicos, diretor tirano, bonitões tirando onda nem piriguetes de plantão. Temos, sim, um grupo de estudantes normais, cada um com sua personalidade, seu estilo, seu caráter, seus humores. Dramas humanos há de muito. A aluna que se envolve com o professor de caráter duvidoso, o rapaz que é obrigado a admitir a homossexualidade, o casal de namorados tranquilos, o tímido romântico, mal entendidos, enfim, um painel multifacetado que, atendendo á tradição do cinema francês, não se presta a clichês e sim a análises sobre relações humanas.
A trama é simples, basicamente inspirada no plot do clássico "A princesa de Cléves": Uma bela aluna cuja mãe morreu chega ao colégio e provoca paixões. Em meio a isso, professores e alunos se deparam com problemas cotidianos, dores e amores.
O trunfo do filme é sua leveza, algo que Honoré tinha conseguido no ótimo “Em Paris”. A se criticar a ausência absoluta dos pais dos jovens, assim como o não-desenvolvimento de ações trágicas, como o suicídio de um dos personagens. Mas, nada que comprometa a qualidade do filme.  
A se registrar no filme a beleza hipnótica de Lea Seydoux (a Junie, que pode ser vista - ainda mais linda - no recente "Meia noite em paris", de Woody Allen) e a presença de Louis Garrel, ator-fetiche do diretor (presente em 5 dos 7 filmes do cidadão).   Como curiosidade, a presença de boa parte da "panelinha" de Honoré no filme: Chiara Mastroiani, Alice Butaud, Clotilde Hesme e Gregoire Lerince-Ringuet (todos do elenco de "Canções de amor" e de outros filmes do diretor). Ah, sim, como é a marca registrada de Honoré tem uma cena onde um personagem canta uma canção (lindíssima) no meio da cena. 



4 comentários:

  1. Preciso ver esse. Mas confesso que nem sempre Honoré me convence.

    Cumprimentos cinéfilos e Feliz 2012!

    O Falcão Maltês

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  2. Oi dona Andressa, levarei este para a senhorita sim, junto com o "Vagas estrelas da Ursa". E, Nahud, sou suspeito porque devoto do Honoré, mas, o filme é realmente bom na proposta dele. Abraços aos dois!

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