quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Com mais de 120 lançamentos, cinema brasileiro bateu recordes em 2013

Com a produção recorde de mais de 120 novos filmes neste ano, o cinema brasileiro superou as marcas anteriores de lançamentos, público e renda, segundo um balanço preliminar divulgado na sexta-feira (20) pela Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Os 120 lançamentos em um único ano constituem algo inédito para o cinema nacional, que desde 1986 não registrava mais de 100 novas produções por ano, segundo o órgão.
Os filmes nacionais, além disso, atraíram para salas de exibição até agora 25,3 milhões de espectadores que geraram uma renda histórica de cerca de R$ 270 milhões.
A Ancine calcula que o número de espectadores de filmes brasileiros deve chegar a um recorde de 27,5 milhões no final do ano, acima dos 25,5 milhões registrados em 2010, até agora o ano mais rentável do cinema nacional.
Segundo a agência, enquanto os números generosos de 2010 podem ser atribuídos principalmente ao filme "Tropa de Elite 2", que atraiu 11 milhões de espectadores, em 2013 a grande demanda do público se dividiu principalmente entre nove filmes, cada uma das quais com mais de 1 milhão de espectadores.
Outros 21 filmes venderam pelo menos 100 mil ingressos nas bilheterias, cada um.
A participação das produções nacionais no mercado subiu de 10,62% em 2012 até 18,3% em 2013, apesar da forte concorrência de vários sucessos comerciais estrangeiros.
De acordo com o órgão, os quatro filmes brasileiras de maior bilheteria este ano foram as comédias "Minha Mãe é uma Peça: O Filme", de André Pellenz (4,6 milhões de pagantes); "De Pernas pro Ar 2", de Roberto Santucci (4,2 milhões); "Meu Passado me Condena: O Filme", de Julia Rezende (2,9 milhões), e "Vai que dá Certo", de Maurício Farias (2,7 milhões).
Também alcançaram importantes bilheterias "Somos Tão Jovens", de Antonio Carlos da Fontoura (1,7 milhão); "Crô: o Filme", de Bruno Barreto; "Faroeste Caboclo", de René Sampaio; "O Concurso", de Pedro Vasconcelos, e "Mato sem Cachorro", de Pedro Amorim.
Os resultados podem ser ainda melhores no ano que vem, já que, segundo o regulador, há uma grande quantidade de produções em fase final de edição e pelo menos 136 filmes brasileiros serão lançados em 2014.

(EFE-Bol)

Nota do blogueiro: A notícia, numericamente falando, é boa e mostra que o cinema nacional enquanto indústria está no caminho certo. Mas, o fato dos quatro filmes mais visto serem comédias estilo besteirol, é sintomático. Os dois melhores filmes do ano ("O som ao redor" e "Tatuagem") não conseguiram números tão elevados, apesar das críticas consagradoras. Sempre defendi que, em relação à cinema, é da quantidade que sai a qualidade. Resta esperar a reação do público nos próximos anos e torcer para que mais filmes fora do eixo "comédia padrão Globo Filmes" cheguem às salas de cinema.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

"Tatuagem": Militância da livre sexualidade e cinema de primeira

Cefas Carvalho

Que o cinema pernambucano há uns dez anos vem sendo o mais criativo e ousado do país, nem se discute. Obras como o pioneiro (ainda de 1997) "Baile perfumado", a triologia de Cláudio Assis ("Amarelo manga", "Baixio das bestas" e "A febre do rato") e "Era Uma Vez Eu, Verônica", entre muitos outros, confirmam isso. Contudo, tive o prazer de assistir na telona do cinema (sessão Cine Cult-RN no Cinemark) aquele que pode ser o símbolo ideológico desta cinematografia, por aliar forma e conteúdo à uma ideologia libertária e geográfica que funciona sexual, emocional e culturalmente.
Trata-se de "Tatuagem", de Hilton Lacerda, justamente o roteirista de "Baile...", "Amarelo..." e "Febre...". Muito já se falou sobre o plot: Em 1978, pena época da malfadada ditadura militar, uma companhia de teatro alternativo que se apresenta em um cabaré (no sentido europeu da palavra) de periferia, Clécio (o sensacional Irandhir Santos), que tem um relacionamento com Paulete (Rodrigo Garcia, espetacular), é atraído por um jovem recruta, "Fininha" (Jesuíta Barbosa). A partir daí, a trama segue os desenlaces emocionais dos personagens paralelamente com as ações teatrais da trupe.
Visceral, misturando drama com comédia (principalmente quando Rodrigo está em cena) e um viés político, "Tatuagem" é um filme essencialmente libertário. As cenas de homoerotismo são das mais ousadas e bem filmadas do cinema recente, com a intenção de deixar o espectador (principalmente o hetero) fora da zona de conforto (justamente por serem cenas românticas e belas). O clima anárquico do Chão de estrelas e a desenvoltura das cenas de carinho e sexo remetem a "Shortbus", de John Cameron Mitchel, outro filme que adoro e que funciona quase como uma militância ao livre comportamento e à livre sexualidade.
Mas, Tatuagem vai além enquanto cinema e, mesmo, política. O filme funciona não apenas na intenção, mas em tudo (fotografia, montagem, cenografia maravilhosa) e oferece cenas antológica (Clécio cantando "Esse cara" de Caetano Veloso, o roqueiro recifense Johhny Hooker inmterpretando a bela "Volta" - de sua autoria, para o filme - são cenas extremamente bem filmadas e emocionantes). Ah, a parte política é que o estilo de vida do grupo tetral, com sua liberdade sexual, de drogas e artística, colide com o que pensa a ditadura (defendida estranhamente hoje por algumas pessoas...) de maneira que a ação do Chão de Estrelas ganha um viés político.
Enfim, um filme militante da sexualidade e do afeto humanos no sentido que os são "Império dos entidos" e "Shortbus", mas que pode ser degustado enquanto cinema de qualidade (desde que você não seja homofóbico - Feliciano teria horror ao filme, ou não..., nem rea
cionário conservador). "Tatuagem", junto com o também pernambucano "O som ao redor" é o filme brasileiro do ano. E é filme para entrar na história do cinema nacional, pode escrever.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Globo de Ouro divulga indicados: Destaque para "12 anos de escravidão" e "Trapaça"

Cefas Carvalho

Saiu nessa quinta dia 12 a lista de indicados ao Golden Globes (Globos de Ouro) prêmio da Associação de críticos estrangeiros de Hollywood. O prêmio é prestigiado e via de regra termômetro para os indicados ao Oscar. Em um ano sem filme excepcionais, a relação dos nominados não trouxe surpresas nem azarões, como nos anos anteriores. Destaque para o número de indicações de "12 anos  de Escravidão", do inglês Steve McQueen, dos ótimos "Fome" e "Shame" e "Trapaça", o novo filme de David O. Russel, do bom, mas, superestimado "O lado bom da vida". Claro que "Gravidade" está entre os indicados (e favoritos), além dos novos filmes de Spike Jonze ("Ela") e dos irmãos Coen ("Balada de um Homem Comum") Confira a lista completa dos indicados ao Globo de Ouro de cinema para 2014:

MELHOR FILME DRAMA
"12 Anos de Escravidão"
"Capitão Phillips"
"Gravidade"
"Philomena"
"Rush: No Limite da Emoção"

MELHOR FILME DE COMÉDIA/MUSICAL
"Trapaça"
"Ela"
"Balada de um Homem Comum"
"Nebraska"
"O Lobo de Wall Street"

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Amy Adams, por "Trapaça"
Julie Deply, por "Antes da Meia-Noite"
Greta Gerwig, por "Frances Ha"
Meryl Streep, por "Álbum de Família"
Julia Louis-Dreyfus, "À Procura do Amor"

MELHOR ATOR DRAMA
Chiwetel Ejiofor, por "12 Anos de Escravidão"
Idris Elba, por "Mandela: Long Walk to Freedom"
Tom Hanks, por "Capitão Phillips"
Matthew McConaughey, por "Dallas Buyers Club"
Robert Redford, por "All Is Lost"

MELHOR DIREÇÃO
Alfonso Cuarón, por "Gravidade"
Paul Greengrass, por "Capitão Phillips"
Steve McQueen, por "12 Anos de Escravidão"
Alexander Payne, por "Nebraska"
David O. Russell, "Trapaça"

MELHOR ATRIZ DRAMA
Cate Blanchett, por "Blue Jasmine"
Sandra Bullock, por "Gravidade"
Judi Dench, por "Philomena"
Emma Thompson, por "Walt nos Bastidores de Mary Poppins"
Kate Winslet, Labour Day

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Christian Bale, por "Trapaça"
Bruce Dern, por "Nebraska"
Leonardo DiCaprio, por "O Lobo de Wall Street"
Oscar Isaac, por "Balada de um Homem Comum"
Joaquin Phoenix, por "Ela"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abi, por "Capitão Phillips"
Daniel Brühl, por "Rush"
Bradley Cooper, por "Trapaça"
Michael Fassbender, por "12 Anos de Escravidão"
Jared Leto, por "Dallas Buyers Club"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Sally Hawkins, "Blue Jasmine"
Jennifer Lawrence, por "Trapaça"
Lupita Nyong'o, por "12 Anos de Escravidão"
Julia Roberts - "Álbum de Família"
June Squibb, por "Nebraska"

MELHOR TRILHA
"All Is Lost"
"Mandela: Long Walk to Freedom"
"Gravidade"
"A Menina Que Roubava Livros"
"12 Anos de Escravidão"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"The Wind Rises"
"Azul É a Cor Mais Quente"
"A Grande Beleza"
"The Past"
"A Caça"

MELHOR ROTEIRO
"12 Anos de Escravidão"
"Ela"
"Nebraska"
"Philomena"
"Trapaça"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Please Mr. Kennedy", de "Balada de Um Homem Comum"
"Let It Go", de "Frozen"
"Atlas", de "Jogos Vorazes: Em Chamas"
"Ordinary Love", de "Mandela: Long Walk to Freedom"
"Sweeter Then Fiction" - "One Chance"

MELHOR ANIMAÇÃO
"Os Croods"
"Frozen - Uma Aventura Congelante"
"Meu Malvado Favorito 2"

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Como assistir filmes em 3D nos anos 80...

Cefas Carvalho
Dia desses, conversando on line com minha irmã, a mitológica Rosa Carvalho, sobre experiências cinematográficas, lembrei com humor que fui pioneiro em assistir filmes em 3D ainda nos anos 80.
Espere aí, tecnologia 3D em uma década que ainda assistíamos filmes em VHS nos velhos e bons (mas nem sempre) videocassetes? Explico.
Ano de 1989. Combino com um amigo roqueiro (guitarrista da banda Facínoras, que marcou época na Zona Sul do Rio de Janeiro sem ter feito sequer um show...) assistirmos a “Tommy” no Cineclube Cândido Mendes. Claro, já havia assistido meia dúzia de vezes a ópera-rock do The Who, mas na telinha na TV. Expectativa em ver o delírio de Ken Russel na tela grande. Chegamos no Centro cultural uma hora antes de começar o filme. “Que tal uma cerveja?”, propôs Breno. Rumamos para um boteco próximo. Contudo, separada a grana para as entradas, constatamos nosso liseu. Cerveja? Melhor não. Pensamos na boa, velha e barata cachaça, mas nem eu nem o amigo éramos chegados à “mardita”. Foi quando ele avistou numa prateleira uma garrafa de Campari. Barata a dose, forte o efeito. Não contamos conversa. Por falar em conversa, eis que conversa vai, conversa vem, entornamos cada um sete doses de Campari. E estava quase na hora de começar o filme.
Cinema quase vazio, apagam-se às luzes e percebo, então, que uma tonteira começa a se apossar de mim. De repente, sem trailler, sem aviso nenhum, começa o filme. Luzes, montagem rápida, um avião em chamas, uma guitarra ensandecida. “It´s a boy, Mrs. Walker, it´s a boy”, canta a enfermeira.
Logo depois, quando termina a cena em que Ann Margaret e Oliver Reed cantam “Christmas”, sinto a cabeça mais pesada e os olhos mais sensíveis à luz. “Acho que estamos um pouco bêbados”, comentou Breno. A partir daí, assisti o filme em terceira dimensão, o 3D. Em “Gypsy Queen” parecia que Tina Turner estava cantando na minha frente. E Elton John em “Pinball Wizzard”, que se abrisse os braços corria o risco de acertar meu rosto? Como confessar que tentei me proteger quando chove champanhe do aparelho de TV? Tudo 3D puro! Claro que na cena final também tentei escalar as montanhas, só que quando acenderam as luzes eu e Breno olhamos um para o outro espantados com a experiência que tivemos. E uma leve vontade de vomitar, claro.
Mas, vive experiência parecida dois anos depois, quando da estréia de “The Doors”, de Oliver Stone, no Cineclube Estação Botafogo. Iniciado que era na obra de Jim Morrison, estava na expectativa que o filme abordasse a relação do roqueiro com xamanismo e drogas. Tendo marcado com dois amigos que não apareciam (na época celulares não existiam, crianças), resolvi tomar umas cervejas no bar ao lado da bilheteria. Eis que três cervejas depois vendo o dinheiro escassear, venci meus pruridos e pedi uma dose de cana. Depois mais duas. E lá fui eu sozinho assistir ao filme.
Novamente, meio grogue na sala de exibição e vivendo meu 3D particular. Particularmente na cena em que Morrison está no palco e delira com índios dançando a sua volta, quase levantei da cadeira para invocar Mr. Mojo. No fim das contas, boas lembranças de
anos que não mais voltam. O único problema deste tipo de 3D era a ressaca no dia seguinte.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Natal terá mostra Cinema e Direitos Humanos de 5 a 10 no IFRN Cidade Alta

Natal receberá a oitava edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul. Será de 5 a 10 deste mês, com sessões no campus IFRN da Cidade Alta. Com exibições em todas as capitais brasileiras, nossa proposta é utilizar a linguagem cinematográfica para estabelecer um diálogo direto com a população. Um contato que valorize a diversidade e garanta o respeito aos Direitos Humanos em todo o país. A Mostra foi lançada em dezembro de 2006 com a finalidade de celebrar o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, sendo exibida em quatro cidades. Aos poucos foi sendo expandida e já chega a todas as capitais brasileiras e com um projeto itinerante que vai também para o interior do Brasil.
A Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul tem o importante papel de disseminar e fortalecer a educação e a cultura em Direitos Humanos, especialmente de forma a alcançar os setores historicamente excluídos ou com menos acesso a bens culturais. Nesse sentido, este ano inovamos com a realização do projeto Democratizando em mais de 500 locais de exibição espalhados pelo país – inclusive em cineclubes, pontos de cultura, institutos federais de educação profissional, científica e tecnológica, universidades, museus, bibliotecas, sindicatos, associações de bairros, telecentros, entre outros.
A 8ª Mostra Cinema e Direitos Humanos da América do Sul é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em parceria com o Ministério da Cultura. Tem produção da Universidade Federal Fluminense, patrocínio da Petrobrás e do BNDES, e recebe o apoio institucional da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura, da Empresa Brasil de Comunicação e do Centro de Formação das Nações Unidas para o Brasil.
Para saber mais detalhes e a programação acesse www.sdh.gov.br/mostracinemaedireitoshumanos

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Shortbus: Discitindo sexualidade de forma explícita com doçura, sinceridade e inteligência

Cefas Carvalho

Revi noite dessas um de meus filmes favoritos, Shortbus, de John Cameron Mitchell. Filme indie, rodado com baixíssimo orçamento cujo roteiro e personagens foi desenvolvido com os atores (muitos não-profissionais). Conta-se que  Mitchell abriu testes a qualquer pessoa, atores profissionais ou não. Não queria astros, porque astros não fazem sexo, diz. Pediu que os interessados mandassem fitas com o que eles achassem interessante contar. Muitos faziam confidências em vídeo, outros se masturbavam para a câmera. Uma pré-seleção chegou a 500 pessoas, depois a 40.
Criticado por conter cenas de sexo explícito (muitas envolvendo homossexualidade masculina) e proibido em alguns países e em alguns estados dos EUA, país fundamentalista, como se sabe, Shortbus trata sobre gente comum de Nova York, homens, mulheres, héteros, homos, bem casados, mal resolvidos, que tem em comum o fato de frequentaram o clube que dá título ao filme. Para mim, trata-se de um filme doce, com personagens cativantes. A pornografia, quase sempre, está nos olhos de quem vê. Claro que puritanos e gente mal-resolvida sexualmente não deve nem chegar perto deste filme.
O ponto de partida do longa é Sophia (a canadense Sook-Yin Lee), uma terapeuta de casais que nunca teve um orgasmo. Entre seus pacientes estão James (Paul Dawson) e Jamie (PH DeBoy), que mantém uma relação que se pretende aberta. Há ainda Severin (Lindsay Beamish),  dominatrix que mantém sua vida em segredo. Todos e outros personagens se encontram regularmente no Shortbus, o clube underground comandado por Justin Bond (uma espécie de mestre de cerimônias de Cabaret) onde arte, música, política e sexo se misturam. Faz-se de tudo lá, ou nada, para quem preferir.

 Li quando do lançamento do filme que Mitchell se ressentia de ter assistido, no final dos anos 90, a vários filmes que tratam o sexo com franqueza, mas ainda com uma certa carga pesada, como se opção sexual fosse um fardo. Segundo o diretor, faltava provocação e até um pouco de humor. E daí começou a nascer  Shortbus, que é um filme de celebração, como na trilogia do sexo de Pasolini ou nos filmes franceses, onde o sexo - bem resolvido ou problemático - é algo natural, tratado sem pudores. Um filme obrigatório para quem gosta de ver debates sobre sexualidade no cinema.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Animação brasileira é pré-candidata ao Oscar da categoria

Em um ano fraco de animações e nada que salte aos olhos, uma produção brasileira "Uma História de Amor e Fúria" é uma das 19 classificadas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos para concorrer a uma indicação ao Oscar de melhor animação em 2014. E com chances, diga-se. Dirigida por Luiz Bolognesi, a animação narra o amor entre Janaína (voz de Camila Pitanga) e um guerreiro indígena (voz de Selton Mello) que, ao morrer, assume a forma de um pássaro. Durante seis séculos, a história do casal sobrevive, atravessando quatro fases da história do Brasil: a colonização, a escravidão, o regime militar e o futuro, em 2096, quando haverá uma guerra pela água. Animações medianas como "Tá Chovendo Hambúrguer 2", "Meu Malvado Favorito 2", "Os Croods", "Reino Escondido", "Frozen: Uma Aventura Congelante" e "Universidade Monstros" também disputam as indicações. Os indicados serão anunciados no dia 16 de janeiro. O Oscar 2014 acontece no dia 2 de março de 2014, em Los Angeles.


Confira a lista dos 19 longas que disputam as indicações:

"Os Croods"
"Tá Chovendo Hambúrguer 2"
"Meu Malvado Favorito 2"
"Reino Escondido"
"Ernest et Célestine"
"Saibi"
"Bons de Bico"
"Frozen: Uma Aventura Congelante"
"Khumba"
"The Legend of Sarila"
"Momo e no tegami"
"Universidade Monstros"
"O Apóstolo"
"Aviões"
"Puella Magi Madoka Magica the Movie Part III: The Rebellion Story"
"Uma História de Amor e Fúria"
"Os Smurfs 2"
"Turbo"
"The Wind Rises"

Com informações do UOL Cinema


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Lana Wachowski fala sobre novo filme “Jupiter Ascending”



Luísa Gomes, para o site Cinema em Cena

A forte presença do desconhecido e do bizarro é marca registrada na filmografia dos irmãos Wachowski (Matrix). Os diretores se dispõem a fazer filmes grandiosos e estranhos ao público. Seu novo projeto não poderia ser diferente: Jupiter Ascending contará a história de um guerreiro híbrido (Channing Tatum) que se apaixona por uma humana (Mila Kunis) que possui os genes da Rainha do Universo.
Lana Wachowski (foto) falou sobre o longa em entrevista ao site da Associated Press: “É uma ópera sobre uma ficção científica no espaço. Possui muitos elementos de gêneros que amamos. Possui muita ação original e muito romance. Nós não somos bons em fazer coisas pequenas, por isso voltamos ao grandioso. Falamos ‘vamos fazer um filme pequeno’, mas os filmes acabam sendo super complexos. Queremos sempre procurar alguma coisa diferente que ninguém tenha feito”, disse.
Jupiter Ascending tem estreia prevista no Brasil para o dia 8 de agosto de 2014. 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

"Os Fantasmas se Divertem" deve ganhar continuação com Tim Burton e Michael Keaton

Em primeiro lugar, um pedido de desculpas aos leitores do blogue pela inércia desta espaço. Compromissos profissionais e "abacaxis" pessoais inviabilizaram postagens sobre filmes e novidades sobre a sétima arte. Mas, após esse mea culpa, a promessa de manter o blogue sempre dinâmico e atualizado.
Emm segundo lugar, uma notícia das melhores. O filme "Beetlejuice - Os Fantasmas se Divertem" 1988, que apresentou ao mundo Tim Burton e o famoso morto-vivo Beetlejuice, deve ganhar uma continuação, como publicou nesta segunda dia 21, o site da revista "Variety".
Segundo fontes ouvidas pela publicação, Burton, está em conversas com o ator Michael Keaton para retomar parceria da franquia. O roteiro deve ficar a cargo de Seth Grahame Smith, que produzirá o filme com David Katzenberg, da KatzSmith Productions. Recentemente, Grahame-Smith publicou em sua conta do Twitter que tinha grandes novidades, o que deu início a uma onda de rumores.
Segundo fontes ligadas ao projeto, Keaton estaria interessado em voltar a interpretar Beetlejuice. O filme poderá ganhar mais de uma sequência. A última continuação dirigida por Burton foi "Batman, o Retorno", em 1992. Atualmente, ele está filmando "Big Eyes", com Christoph Waltz e Amy Adams, sem perspectiva sobre seu próximos projetos, o que pode ser um indício para o novo filme.
O diretor já trabalhou com Grahame-Smith na produção de "Abraham Lincoln: Vampire Hunter" (2012). Os dois também editaram parceria no filme "Sombras da Noite" (2012).
"Beetlejuice" é um dos filmes mais divertidos dos anos 80 e mostrou o potencial de Burton, confirmado depois com pérolas como "A lenda do cavaleiro sem cabeça", "Ed Wood" e "Sweeney Todd".


Com Informações do Uol

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

"A vida de Adéle" vai estrear no Brasil em dezembro

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano e elogiado por críticos, La Vie D’Adèle vai chegar aos cinemas brasileiros mais cedo do que se imaginava. A distribuidora Imovision divulgou que o filme (que pode se chamar A vida de Adele ou Azul é a mais quente das cores, nome internacional do filme e o título original da HQ que inspirou o roteiro) estreia no Brasil em 6 de dezembro.
Dirigido por Abdellatif Kechiche (O Segredo do Grão e Vênus Negra, dois filmes maravilhosos) e estrelado pela beldade Léa Seydoux (de A bela Junie, Adeus minha rainha e Meia-Noite em Paris, cada dia mais linda e melhor atriz) e a estreante e revelação Adèle Exarchopoulos (Boxes), La Vie D’Adèle segue a jornada de um casal de garotas, desde o primeiro olhar até um possível fim. Tem cenas consideradas ousadas e encantou até o conservador Steven Spielberg, presidente do juri de Cannes, que se rendeu ao filme. 

Com informações do Cinema em Cena

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ninfomaníaca, de Von Trier, pronto para ser lançado na Europa

Cefas Carvalho

Admiradores e detratores, preparem suas emoções e suas críticas. Ninfomaniaca, novo filme do diretor dinamarquês Lars von Trier vem aí. Com 5 horas de duração, será dividido em duas partes, com a primeira prevista para estrear na Europa entre outubro e dezembro. O filme não possui previsão de lançamento no Brasil.
Cineasta de Anticristo, Melancolia, Dançando no escuro e outras obras primas, Trier tem o costume de fazer filmes de longa duração, mas dessa vez ele deve se superar. Com um roteiro de 268 páginas, 11 semanas de filmagens e 100 horas cortadas do material bruto de Ninfomaníaca, o resultado foram cinco horas de duração divididas em dois filmes.
A informação foi confirmada ao site norueguês Montages por Peter Jensen, produtor do filme, que ainda disse que cada filme terá duas horas e meia de duração, seguindo a saga de Joe (Charlotte Gainsbourg) desde sua infância até sua vida atual como uma viciada em sexo. Além da história levada para as telonas, Jensen também revelou planos de uma série para TV. Como se sabe, o filme terá cenas de sexo explícito, "interpretado" por atores pornôs profissionais.
A narrativa do filme será divida em oito capítulos com técnicas distintas, incluindo um capítulo inteiro filmado com a câmera parada. Uma Thurman, Willem Dafoe, Shia LaBeouf, Stellan Skarsgard e Christian Slater, entre outros, integram o elenco de peso de Ninfomaníaca. Será a terceira parceria entre a musa Charlotte e o dinamarquês, conhecido por "torturar" psicologicamente suas atrizes (mas, parece que dá certo, pois 4 delas ganharam prêmios de melhor atriz em Cannes - e outros prêmios - sob sua batuta).


Com informações do site Cinema em Cena

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Cineclube Natal fará mostra "Cinesexualidade" no TCP

O Cineclube Natal, em parceria com o Teatro de Cultura Popular Chico Daniel, promoverá a mostra batizada de “Cinesexualidade”, que exibirá seis filmes cujas temáticas abordam a sexualidade humana nas suas mais diversas formas. Durante a mostra, serão exibidos os filmes "O Outro Lado de Hollywood”, “Yossi & Jagger”, “Amigas de Colégio” (foto), “Morrer Como Um Homem”, “Procura-se Amy” e “Bent”, que tratam de temas como dilemas da sexualidade, sexualidade na adolescência, identidades sexuais e de gênero.
O objetivo da mostra é estimular a discussão acerca de temas que ainda hoje são colocados de lado quando se fala em sexualidade, que indiscutivelmente o cinema ajudou a popularizar, desmitificando preconceitos e tabus.
A seleção dos longas foi meticulosamente pensada, de modo que tentam esquadrinhar os limites da sexualidade, colocando em xeque as certezas, nosso senso de “normalidade” e nossos próprios preconceitos.
A primeira sessão da mostra acontecerá na terça-feira, 10 de setembro, e segue nos dias 11, 12, 13, 14 e 15 de setembro, sempre às 18:30 horas no Teatro de Cultura Popular Chico Daniel. As sessões cobram uma taxa de quatro reais de manutenção.


Nota do blogueiro: Excelente seleção. Dos seis filmes assisti três. "Amigas de colégio" é um sensível filme sueco do ótimo Lucas Moodyson (do terrível "Um vazio no meu coração"), excelente e suave. "Procura-se Amy" é um divertido filme de Kevin Smith com Ben Affleck e Matt Damon em começo de carreira, e "Bent" é um filme sensível e de alto nível. Dos outros três, tenho vontade de assistir O outro lado de Hollywood, mas, os outros dois chamam a atenção. Parabéns ao Cineclube pela escolha dos filmes (embora o alemão "Aimée e Jaguar" e o indiano "Fogo" tivessem plenas condições de estar na lista).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Marion Cottilard será Lady Macbeth no cinema



G1, São Paulo

Sai Natalie Portman, entra Marion Cotillard. Ganhadora do Oscar por "Piaf – Um hino ao amor" (2007), a francesa vai substituir a americana – e também ganhadora de uma estatueta, por "Cisne negro" (2010) – no filme "Macbeth", baseado na peça escrita por William Shakespeare. A informação é da "Hollywood Reporter".
Em reportagem publicada em seu site nesta quarta-feira (21), a revista diz que o alemão Michael Fassbender ("Bastardos inglórios", "Shame" e "X-Men: Primeira classe") vai protagonizar o longa. A produção é de Iain Canning e Emile Sherman, que trabalharam juntos no ganhador do Oscar "O discurso do rei" (2010).
De acordo com a "Hollywood Reporter", a direção é de Justin Kurzel, que tem até aqui um único longa-metragem no currículo, "Snowtown" (2011). A pré-produção está prevista para começar no final do ano, e as filmagens, para janeiro de 2014, no Reino Unido.
Além de "Piaf", Marion é conhecida por ter atuado em superproduções como "A origem" (2010) e "Batman – O cavaleiro das trevas ressurge" (2012). Também esteve em "Nine" (2009), "Meia-noite em Paris" (2011) e "Contágio" (2011). Seu trabalho mais recente a estrear no Brasil é "Ferrugem e osso" (2012).

Nota do blogueiro: Michael Fassbender como Macbeth e Marion Cotillard como a terrível Lady Macbeth? Podem separar logo os Globo de Outros e estatuetas do Oscar para a dupla. E Marion, bela e excepcional atriz, já mostrou seu talento superlativo em “Piaf” e “Ferrugem e osso”. O que dá medo é colocarem o texto mais sombrio de Shakespeare e estes dois talentos nas mãos de um diretor quase estreante e desconhecido. É esperar para ver.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Willen Dafoe viverá Pasolini em filme italiano de Abel Ferrara

Do UOL, em São Paulo
   
O diretor norte-americano Abel Ferrara fará uma crônica cinematográfica do que teria sido o último dia de vida do diretor italiano Pier Paolo Pasolini. Segundo o site da revista "Variety", Ferrara pretende começar a fotografia para o filme "Pasolini" no próximo dia 1º de novembro, que é também a véspera do 38º aniversário da morte do italiano. O ator Willem Dafoe vai estrelar o filme e essa será sua quarta parceria com Ferrara.
"Pasolini não era apenas um grande diretor de filmes, ele era um filósofo, um poeta, um jornalista que escrevia editoriais, um comunista mas um católico que se opunha ao controle de natalidade, um radical, um pensador livre em todos os níveis", disse Ferrara durante o Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, quando deu uma aula para jovens cineastas.
Com a exceção de Dafoe, que mora em Roma, é casado com a cineasta italiana Giada Colagrande e é fluente em italiano, todo o elenco será italiano.
Pasolini morreu no dia 2 de novembro de 1975, atropelado pelo próprio carro na praia de Ostia, perto de Roma. Um jovem de 17 anos confessou o assassinato mas voltou atrás em sua confissão em 2005.
Ferrara garantiu, porém, que "Pasolini" não será uma tentativa de investigar a morte do diretor italiano, mas terá foco na figura do diretor e poderá incluir imagens nunca vistas de filmes feitos por ele. Ferrara também pretende gravar cenas de um filme que Pasolini estava preparando para retratar a vida de São Paulo e ser feito em Detroit.

Nota do blogueiro: Ferrara tem altos e baixos, mas, que desça o "santo" de Pasolini na criatura para que saia um filme à altura do biografado. Dafoe é um dos maiores atores da atualidade e, inclusive, fisicamente parecido com o gênio italiano.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

"Laurence anyways": A visão poética e visceral de Xavier Dolan sobre amor e transexualidade

Cefas Carvalho

Volta e meia sou pego diante de expressões artísticas - filmes, livros, artes plásticas, músicas - na qual não consigo entender minha primeira impressão delas. Causam certo impacto em mim - bom ou mal, positivo ou negativo de uma forma esquisita - que já aprendi a interpretar ao longo deste 42 anos, como saudáveis. Talvez para mim o problema seja não sentir nada, ou gostar de um forma tão banal que eu mesmo sei que o "gostar" não vai sobreviver a uma pizza pós-obra. Senti essa sensação diante das pinturas de Marlene Dumas, de alguns livros de Alberto Moravia e dos filmes de Christophe Honoré (Canções de amor e Os bem amados), um incômodo misturado com estranheza que, a longo prazo, seria não apenas produtivo, mas acarretaria uma relação posteriormente íntima e devotada com todos os citados neste parágrafo.
Tanto nhem nhem nhem para sintetizar a explicar aos leitores(as) minha sensação diante de Laurence anyways, mais recente filme do canadense Xavier Dolan, enfant terrible que antes dos 24 anos realizou Eu matei minha mãe e Os amores imaginários, dois filmes que encantaram 9 entre 10 cinéfilos e que adoro, principalmente o segundo.
Este texto não pretende ser spoiler, portanto vou registrar apenas o ponto de partida, que é simples, basicamente no início do filme e já conhecido dos cinéfilos. Laurence (o ótimo Melvil Poulpaud) namora a intensa Frederique (a estranhamente bela e sexy Susanne Clement), porém, após seu aniversário de 35 anos ele comunica à namorada e todos que não se sente confortável em seu corpo masculino e que vai começar a se vestir e agir como uma mulher.
A partir daí o filme dá uma guinada  - narrativa e estética - enfocando a jornada de Laurence em relação à sua nova vida (trabalho, amigos, namoro, vida social, tudo é afetado, claro). Dolan, como se sabe, é homossexual assumido e militante, portanto, o roteiro é escrito não apenas com propriedade e conhecimento de causa, mas com naturalidade que se faz visível. A batalha - primeiro interior, depois social - de Laurence é mostrada com paixão e compaixão (é impossível não torcer pela sua causa pessoal - como também  acontece com Ennis e Jack em Brokeback mountain, este realizado por um heterossexual, Ang Lee, com uma sensibilidade absurda).
Portanto, o filme se desenrola na luta de Laurence por autoafirmação, afirmação social, relacionamento com a mãe (a musa Natalie Baye, sempre boa atriz e cada vez mais linda com o passar dos anos) e o grande amor pela Fred, que talvez seja a estranheza maior do filme e o trunfo de Dolan. Ele, claro, usa e abusa de cenas estilizadas, com câmara lenta (a lá Kar Wai) como fizera tanto em Os amores imaginários, mas, o fato é funcionam, apesar da cara feia dos críticos.
Em suma, um filme maravilhoso sobre auto descobrimento, (trans)sexualidade e, claro, amor. Xavier Dolan acertou de novo. E lá vou eu dia desses rever o filme, já que como não sei ao certo se gostei ou não.
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Garimpando as canções pop-rock incidentais dos filmes de Christophe Honoré

Cefas Carvalho

Que praticamente todos os filmes de Christophe Honoré tem trilha sonora feita por Alex Beaupain todo cinéfilo sabe. E nessas trilhas inclui-se as belíssimas canções de musicais como Os bem amados e Canções de amor. Mas, Honoré também é craque em selecionar músicas incidentais para cenas chaves de seus filmes. Sempre me chamou a atenção em Os bem amados, duas canções pop-rock que pontuavam em cenas dramáticas, alternando entre as composições de Beaupain. Aproveitando uma madrugada insone decidi "caçar" as tais canções. E quem procura, já diz o ditado, acha!
Uma nem era das mais difíceis. Em uma das cenas finais do filme, quando Madeleine (Catherine Deneuve) e Clement (Louis Garrel) saem de Reims rumo a Paris para a rue Darcet, ouve-se uma versão quase tecno belíssima do clássico I go to sleep, da banda inglesa The Kinks, depois regravada pelo The Pretenders (a musa Chryssie Hynde namorava Ray Davis, do The Kinks à época). Acabei descobrindo que a versão do filme é uma regravação feita pela cantora e compositora alemã Anika, que tem uma voz andrógina e é também jornalista política e militante cultural.

A segunda canção aparece quando Vera (Chiara Mastroanni) vai a Londres encontrar Henderson (Paul Schneider) e ao entrar no pub onde ele toca bateria, ouve-se uma canção agridoce com uma letra triste (Forget the horror here... I´m the fury in your head...). Pois descobri que trata-se de Spanish Sahara da banda inglesa Foals, da qual já havia ouvido falar, mas não escutara nada. Pois tanto a música como o clipe são intensos e melancólicos e já entraram para meu set list pessoal.