segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O charme espanhol de O outro lado da cama

Cefas Carvalho

Comédia músical espanhola de 2002, dirigida por Emilio Martinez-Lázaro  O outro lado da cama é daqueles filmes de sucesso mediano que parecem restritos aos garimpeiros de sites de dowloads e cinéfilos. Baixei-o como uma curiosidade, entre classicos e trashes, e eis que, o filme se mostra acima das expectativas e, fundamental, tem o poder de ficar na lembrança do espectador e, em alguns casos (como o meu) exercer tal poder de sedução que parece melhor tê-lo assistido do que a muitos filmes indubitavelmente superiores.
A trama é simples e corriqueira: Em uma Madri contemporânea, Javier é namorado de Sonia, mas se envolve com Paula, namorada de Pedro, melhor amigo de Javier. Paula termina a relação com Pedro porque admite estar apaixonada por outro homem e a partir daí a trama tem início. Com desencontros e mal entendidos, como nas comédias românticas tradicionais.
Mas, como nos melhores filmes europeus, a trama é o que menos importa. O filme tem uma saudável amoralidade que é totalmente desconhecida das puritanas comédias românticas norte-americanas e o sexo parece ser uma constante para todos os personagens, como convém ao caliente sangue latino. Melhor que isso, sexo sem culpa, digno de ser conversado em mesa de bar e analisado.
Contudo, o filme desde o início mostra que tem ambições a comédia musical. Os números musicais (lembram os dos filmes de Christophe Honoré, mas é preciso lembrar que este é anterior a Canções de Amor, de 2006, e Os bem amados, de 2010) dão um charme a mais na história. É verdade que umas canções deixam a desejar e que em outras cenas, as coroegrafias são meio toscas, mas só a canção da cena inicial (video abaixo) vale a proposta.
O elenco todo está muito bem, com destaque para a sensualidade latente da Paula vivida por Natalia Verbeke (belíssima atriz argentina que foi a namorada de Ricardo Darin em O filho da noiva). A prestigiada Paz Vega (do maravilhoso e pouco conhecido Lúcia e o sexo) também está muito bem.
Enfim, um filme para se ver preferencialmente a dois em uma tarde de domingo. Com queijos e vinhos, faz favor.


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